Chuva

Chuva

0 comments 📅01 agosto 2017, 23:13

A receita perfeita para uma boa história? Essa é fácil, toda boa história começa na taberna do Frodo. Depois de algumas cervejas, encrenca vai acontecer sem que você peça! – Tibicus, Thais 2016.

Se apenas Tibicus soubesse naquela época o quão certo ele veio a ser…

A lua estava em seu apogeu, volumosa e radiante, em qualquer outra noite isso seria uma dádiva para um viajante. Esta noite, no entanto, ela ficou sufocada pela tempestade que desabou sobre Roshamuul. Seu brilho agora era evidente apenas no estranho círculo que contornava as nuvens, carregadas com trovões, e servidas apenas para prever um mal para todos que queiram se aventurar em tais condições. Apenas aqueles cansados de viver se arriscariam estar ao ar livre durante uma tempestade em Roshamuul. Cansado da vida, ou preocupado com a vida dos outros.

Um vento penetrante varria por inteiro os arbustos e os campos, assobiando através das rachaduras e nichos das casas e celeiros por perto. As gotas da chuva, pesadas e duras como pedras seixo eram derrubadas incessantemente do céu, enchendo os buracos e rios até a borda. Esta foi a abertura da tempestade, que vomitou trovões e relâmpagos sobre a terra trêmula que estava por baixo, não poupando nada e ninguém.

Os uivos agudos dos lobos selvagens morriam pelo caminho enquanto a batida rítmica dos cascos de um War Horse fizeram o chão tremer. O cavaleiro, em roupas encharcadas, inexoravelmente cavalgou pela tempestade, a chuva chicoteava sua cara pálida. Seus olhos, vazios e sem esperança, fecharam-se contra o impacto da chuva. Ele fixou seus olhos no seu destino que ele não conseguia prever ainda.

 

A água escorria pelo canto de seu nariz e sobre seu lábio áspero e rachado que tomou uma tonalidade azul acinzentada. Seu cabelo grosso, longo e castanho preso aos fios em sua testa, cobrindo o novo ferimento profundo sobre sua têmpora. As características de sua face estavam despedaçadas em preocupação. Não havia um honroso guerreiro montado naquele nobre War Horse mas sim um homem castigado, curvado pela sua farda de culpa.

Ele havia saído de Thais uma hora atrás assim que a tempestade começava a se formar, apesar de parecer que havia saído há muito mais tempo. Inúmeras vezes ele olhou por trás de seus ombros apenas para ter certeza que ele não estava sendo perseguido. Venore ainda estava a poucas cansativas milhas de distância. O Capitão Bluebear, aquele marinheiro desprezível, tinha o deixado para baixo. Ele se recusou a navegar durante a tempestade. Muito perigoso, ele havia dito.

Se ele tivesse sido capaz de partir de Thais ele não teria sido forçado a realizar esta perigosa jornada atravessando o continente tibiano. Sua próxima melhor chance de chegar a seu destino era o Capitão Fearless. Ele apenas esperava que ele atendesse ao seu nome. No entanto, talvez esta era a melhor escolha o tempo todo. Em Venore, muitas pessoas não conheciam seu rosto – menos chance de surgir questões indesejadas.

Ele estava pagando um preço excessivo pela perda de suas placas de ombro enquanto a corda de seu warsinger bow amarrada em suas costas cortava dolorosamente e impiedosamente seu ombro, esculpindo cada vez mais a cada batida do casco no chão desnivelado. Não havia tempo para parar, não havia tempo para descansar. Uma cicatriz seria um sacrifício agradável em comparação com a dor e a agonia que ele encararia se falhasse em sua missão.

Mas ele conseguiu ter sucesso? Se a anotação que ele deixara para Tibicus permanecesse sem descoberta, isso significaria que o cavaleiro teria assinado sua própria sentença de morte. Encontraria Tibicus a anotação deixada por ele? Por que diabos ele estava pensando em seu próprio destino, afinal? Não era sobre ele, era sobre Tibicus e sobre todos, era sobre eles; aqueles que ficaram enrolados nesta situação desesperante, sem culpa própria por causa dele, por causa de sua estupidez, e agora ele estava preso entre uma pedra e um lugar árduo.

Ele tentou sufocar seus pensamentos e focou-se na tarefa que tinha em mãos. Em um esforço para limpar sua mente ele cavalgou ferozmente seu cavalo e desceram pelo caminho lamacento.

Em seguida – desastre!

Um raio atingiu a árvore ao lado dele, lançando um banho de faíscas e fazendo com que o War Horse entrasse em pânico. Ele se amedrontou, levantando as pernas dianteiras e arremessou-o de suas costas. O cavaleiro foi parar em uma pilha de lama. A água gelada infiltrou-se lentamente através de sua armadura, penetrando pelas costuras abertas abaixo de seu peitoral amassado. Sua capa verde-azeitona estava encharcada com a mesma sujeira marrom que manchava sua Dwarven Legs. Sua bela armadura, uma vez seu orgulho e alegria, estava agora suja e manchada, assim como sua honra.

Ele já não tinha mais forças para se levantar de onde estava deitado. Toda sua raiva e frustração cristalizaram-se em um pensamento que ressoou em seu cérebro:

“É aqui que você pertence, seu patético pretexto de paladino”.

 

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SOBRE O AUTOR

Gabriel
Gabriel

Estudante, MS boladão, possui metas no netflix, adora Python e fala besteira no twitter nas horas vagas.

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