Resgate!

Resgate!

0 comments 📅02 setembro 2017, 18:57

 

Os sóis enviaram seus raios para restaurar cores as formas que estiveram cinzentas e pálidas durante a noite. Os sons melodiosos dos pássaros chilreantes encheram o ar enquanto as flores lentamente abriam os botões, inclinando-se e erguendo as folhas para os sóis. Rãs pulavam das muitas poças formadas na estrada e pequenos goblins estavam tentando perseguir minhocas que apareceram na superfície depois que a chuva finalmente parou.
Alguns Tibianos já andavam pela cidade, a caminho do depot, para se reabastecer para sua próxima caçada. A medida que o amanhecer caminhava para o  meio da manhã, mais e mais Tibianos enchiam as ruas e todas as casas tinham janelas abertas para deixar entrar o ar fresco e a luz solar. Bem, todas as casas, exceto uma.

Suas persianas de madeira eram capazes de bloquear a maior parte da luz, e não conseguiam filtrar os sons adequadamente. Os sóis ascendentes haviam acabado com a chuva, mas a água pingava do telhado da casa no peitoril da janela com uma irritante regularidade. Ele teria que arrumar logo isso.

Tibicus escondeu a cabeça sob uma pilha de travesseiros para diminuir a dor que que as gotas causavam em sua cabeça cada vez que atingiam o peitoril da janela, com o som de mil bigornas. “Maldito Frodo … Por que você tem que ser tão bom cervejeiro?” Ele deveria ter percebido antes – mas quem em sã consciência teria recusado bebidas grátis?
Agora ele teria que enfrentar as conseqüências de seu comportamento excessivo (mas perdoável) e reconhecer que seus silenciadores de som macios e plumosos apenas faziam um trabalho medíocre.
Além disso, aqueles ruídos e grunhidos, que se originaram de seu estômago, lembraram que era hora de se levantar e começar o dia.

Quando Frodo decidiu que já era tarde e jogá-lo fora de sua taberna, Tibicus foi forçado a atravessar a chuva. Completamente encharcado da cabeça aos pés, ele se despiu tão logo fechou a porta. Devido à sua urgente necessidade de ir para a cama, ele abandonou o equipamento em uma pilha no chão.

Durante a noite, a água tinha escorrido de sua armadura e formando uma poça. Portanto, o assoalho ainda estava úmido e escorregadio e o inevitável aconteceria: no caminho da cozinha, enquanto Tibicus ainda estava tentando esfregar o sono de seus olhos, ele escorregou na água e pranchou no chão duro . Gemendo, ele tentava se levantar quando um envelope no chão chamou sua atenção.

“Bom, Benjamin já deve ter terminado a sua ronda diária “, pensou, ainda um pouco aturdido do pouso áspero. Ele abriu o envelope com sua obsidian knife e começou a ler a carta. A cada palavra, seus olhos e boca se abriram mais e mais e sua mente ia clareando. Ele olhou para o envelope de novo, sem remetente, sem carimbos de correio, apenas o nome dele escrito. Alarmado com o que ele havia lido,atravessou a sala em direção às escadas para alcançar o andar superior. A velha e escura madeira rangia quando Tibicus pisou nela tentando apressar os passos. Ele escorregou novamente, mas felizmente, desta vez ele conseguiu evitar uma nova queda segurando o corrimão. Quando ele finalmente chegou ao andar superior, ele respirou profundamente e se dirigiu para a sala no final do corredor.

Ele olhou para a maçaneta da porta por um tempo, sem saber se queria descobrir se a carta havia dito a verdade. Então colocou a mão no botão frio e dourado e lentamente a girou para a direita, destravando a porta.

A sala estava banhada pela luz. Ele teve total atenção para garantir que tudo aqui fosse sempre iluminado perfeitamente. Raios de luz brilhando através das janelas do leste, quando os sóis subiam no céu, aqueciam a sala mantendo uma temperatura agradável. Durante a noite, as skull lamps em cada canto e as tochas nas paredes asseguravam que o interior fosse exibido corretamente. Este era o santuário interno da casa. Aqui, Tibicus guardava seus pertences mais preciosos.

Esta era a história da vida de Tibicus, contada através de suas posses. Muitos itens valiam uma fortuna no mercado, mas também havia itens que tinham um valor pessoal muito alto para Tibicus. Cada peça tinha seu próprio lugar na sala e estavam organizados em uma ordem específica. No lado esquerdo da sala,esperando atenção, estava a coleção de reluzentes armaduras. Golden e prismatic estavam dispostas em racks, acompanhadas pela demon armor e escudos do carmesim mais profundo. À direita, lado a lado contra a parede, havia mesas cobertas por anéis e amuletos.

No centro da sala onde a luz convergia estava o orgulho e a alegria de sua coleção. Alguns dos itens mais raros e fabulosos conhecidos no Tibia estavam expostos aqui. Uma coleção de stands de troféus dispostos em um círculo em torno de sua possessão mais preciosa dominava esse espaço.

Tibicus prendeu a respiração. A visão de sua coleção sempre fez seu coração bater mais rápido, mas agora seu coração quase parou. A carta já o havia avisado, mas agora ele via com seus próprios olhos. Tudo estava intacto, em seu lugar, exceto um único item: o chapéu, o precioso chapéu, desapareceu.

Onde ele conseguiria 400 milhões em ouro nos próximos sete dias?

 

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